A moda do homem brasileiro 

Há alguns dias venho refletindo sobre o jeito do homem brasileiro se vestir. A conclusão que cheguei é que não temos ainda uma cultura em que a roupa seja mais importantes do que outros bens como tenis, carros e motos e isso em todas as classes sociais. Basicamente os homens brasileiros usam essas peças no dia a dia (e até em ocasiões atípicas); 

Regatas, bermuda cargo, camisa polo, camiseta e bermuda de surfista, camisa de time de futebol e jeans. 



Quando se trata de roupa social tambem “somos” um fiasco. “Conforto” é usar  terno dois números a mais. 



 

A palavra elegância não chegou ainda ao armário do brasileiro e diferente das mulheres, os homens não ligam para os detalhes. O mercado masculino no Brasil também carece de informação. Os sites e blogs se dividem em fashionistas que cobrem as infinitas temporadas week’s ou caretas que ensinam combinações erradas de cores ou dão dicas do tipo: use meias da cor dos sapatos e
ainda reproduzem a ideia de que é preciso reforçar sua masculinidade pelas roupas. 

Para complicar os homens brasileiros que estão na midia reproduzem esses mesmos estilos. Faltam referências aos famosos.  Os jogadores de futebol são os que mais erram. Os que vão para Europa até começam a querer adotar um estilo porém são mal assessorados e logo são “patrocinados” por marcas se tornando  outdors ambulantes sem antes terem desenvolvido um estilo próprio. Eu aprendi muito viajando e vendo como lá fora muitos homens são seguros e já sabem o que usar em qualquer ocasião. 

Pesquisando sobre o assunto encontrei esta entrevista com o Alberto Hiar da grife Cavalera. Ele traduziu tudo o que vivemos no Brasil. 

 O HOMEM E A MODA 

Por Carlos Sambrana 



 Alberto Hiar, o fundador da grife Cavalera, discute o papel da roupa na vida das pessoas, analisa como o brasileiro se veste e dá dicas para quem pretende investir em si mesmo

Não espere vê-lo deslumbrado com o mundo da moda, o seu habitat natural. Não espere vê-lo dando respostas fáceis para fazer média com todos. Não espere que Alberto Hiar, o Turco Loco, seja infiel ao seu estilo. Sim, o dono da Cavalera, uma marca de moda com 30 lojas espalhadas pelo País, é do tipo que fala o que pensa, sem meias palavras. E não é porque trabalha com moda no Brasil que ele vai dizer que o brasileiro sabe se vestir, que é elegante… Pelo contrário. “O homem brasileiro tem pouca personalidade, pouca informação sobre moda. Ele está mais preocupado com o carro do que com a maneira como ele vai se vestir. Ele acha que estar bem é ter a parte financeira resolvida”, diz Turco, numa clara crítica à sociedade. Na entrevista que segue, ele fala sobre moda, estilo, como os brasileiros estão evoluindo e dá dicas para quem pretende investir na aparência. 

Acompanhe: 

 – O brasileiro se veste bem? 

– Não acho que o brasileiro se vista bem. O homem brasileiro tem pouca personalidade, pouca informação sobre moda. Ele está mais preocupado com o automóvel do que com a maneira como ele vai se vestir. Ele acha que estar bem é só ter a parte financeira resolvida. A gente brinca que a mulher gostaria de apresentar o marido dela do mesmo modo que ela apresenta a bolsa, o sapato, a joia. Muitas vezes, ela vê o marido como um acessório cafona. A mulher tem muito mais informação e preocupação com a moda do que o homem. 

 – Por que o homem não se preocupa com moda?

 – Porque é histórico, dentro do Brasil, que a função masculina era outra: a de provedor, a da pessoa que tinha obrigação de prezar pelo bem-estar da família. E o homem sempre preferiu que todas as suas conquistas fossem através de bens materiais. Eu fico vendo os executivos de grandes empresas com nenhuma preocupação na apresentação. Acho isso estranho. Alguns presidentes são bens apresentáveis e você olha para a diretoria e percebe que eles têm a preocupação de querer ser o presidente e não de parecer o presidente. 

 – Ainda existe um preconceito com a moda? 

– Muitos desconhecem moda, acham que é coisa de homossexual. Desde que abrimos a barbearia (a Cavalera inaugurou uma barbearia na rua Oscar Freire, em São Paulo, em 2013), encontro amigos meus e eles me perguntam: ‘E aí, como está o meu cabelo?’. Eu sempre digo ‘está parecendo um Monza 1986 e dá para deixar ele um Fusion 2014’. Ele não tem preocupação de cortar o cabelo de 15 em 15 dias. Mas a barba ele faz porque acha que passa a impressão de limpeza, de que é aceito pela sociedade. Se você deixa a barba por fazer, parece que não é um homem zeloso. Mas você deixa o cabelo sem fazer por mais de um mês, ninguém liga. Isso é louco. Esse cuidado a gente é obrigado a ter como homem. Independentemente de não ser a pessoa mais bonita do mundo, hoje há recursos para ter uma aparência muito melhor. E não é só
na maneira de se vestir. É no cabelo, na barba, nos óculos. A maneira que você se veste fala por você.

– Na sua opinião, qual é a diferença entre moda e estilo? 

– Estilo é quando você tem seu jeito próprio de se vestir e não é vítima da moda. Moda é quando você quer tudo aquilo que está acontecendo naquele momento porque você tem que ser a pessoa mais atualizada. O importante é ser fiel ao seu estilo. A marca que eu trabalho, que eu dirijo, tem um estilo. A gente faz moda porque a gente tem que acompanhar o que está acontecendo em termos de matéria-prima, mas não obrigatoriamente seguir as tendências. A gente procura tudo o que é inovação em matéria-prima e acabamento, mas com estilo próprio, com identidade própria. 

 – O homem de qual nacionalidade se veste melhor? 

O brasileiro pensa muito parecido com o americano. Ele acha que o poder e o dinheiro permitem que ele se posicione e adquira o que quiser. Até sendo cafona se acha chique. Por isso mesmo, poucos estilistas americanos fazem sucesso. Eles não são conceituais. Já os europeus têm essa preocupação em se vestir adequadamente. Quando você fala de modelo europeu, eu gosto muito do modelo alemão. Você quase nunca vê a marca que a pessoa está usando e ele sempre está vestido elegantemente. Tanto as mulheres como os homens procuram esconder muito a marca que estão usando, e procuram ter estilo. E é isso o que eu gosto. Quando você vai para os americanos, eles têm esse jeito de ostentação. Se o sapato não for Chanel ou Louis Vuitton, parece que eles estão pelados. 

-O brasileiro é muito refém de marca? 

– Sim, tanto que consome muita falsificação. É incrível isso. Quando saio com a minha esposa, vejo como as pessoas a olham dos pés à cabeça. Querem saber se ela está com alguma peça de marca, o que está usando… Em função do nosso trabalho, como tem acesso a muita informação, as pessoas passam a medi-la. 

– Mas o brasileiro não tem uma cara na moda masculina? 

– Agora está surgindo. É um homem que até passa uma imagem mais rústica, mas é alinhado. É como se fosse um lenhador alinhado. Ele tem uma barba grande, mas o cabelo sempre arrumado, a barba aparada, a camisa impecável, a calça com o seu caimento perfeito. Até a meia passa a influenciar no look desse homem. Moda é enobrecer o seu corpo. 

 – Você não acha que os homens têm medo de ousar e errar no look?

 – Então a autoconfiança dele é mais fraca do que a vontade de melhorar. Você também corre riscos na maneira de ousar, não precisa ser tão radical. Às vezes, um detalhezinho faz toda a diferença. Uma boa peça, de alfaiataria ou de jeans, já faz a diferença e você, de certa forma, já está sendo ousado. 

 – Em sua opinião, quem é um ícone de estilo? 

– Eu gosto muito do Johnny Depp. Gosto da estética dele, o admiro como ator, a maneira como ele se apresenta. Ele não é o cara mais bonito, mas é charmoso. 



 – Como encontrar um ponto de equilíbrio?

 – Não chamando muita atenção. Por exemplo, usar uma gravata que chame mais atenção do que o look todo. Ou quando você só usa
marca, não gosto disso. 

– Qual é a tendência para 2015? 

– Não gosto muito dessa palavra. O que sinto é que existe uma preocupação por parte dos homens brasileiros, principalmente da nova geração – e essa nova geração de que estou falando é a de homens de 30 anos – com a aparência, com a presença. Isso vai ser legal para o Brasil. O homem vai gastar mais dinheiro com roupas do que com outras coisas. 

 – Que dica você daria para o homem brasileiro?

–  Não custa nada tentar. A mudança tem de ser gradativa, mas as pessoas vão notar essa transformação. A moda ajuda a transformar em todos os aspectos. Você conversa através da maneira que se veste. Até a camiseta que você está usando quer dizer alguma coisa. A calça fala, os óculos falam, o cabelo fala, a barba fala. Se você consegue coordenar tudo isso, dialoga melhor com a sociedade. Agora, não pode ser refém disso.

Fonte: Revista Status 

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