Sexta de Paralizações

A sexta-feira já é um dia em que as pessoas já perdem muito tempo no trânsito. Motivo: todos saem de carro. Hoje uma agenda nacional promoveu várias paralisações como protesto a PL 4330/04 (que permite a terceirização de todas as atividades de uma empresa).  Também sou contra as terceirizações.

Pra quem pedala a sexta pode ser ótima. Só ficamos parados quando queremos contemplar a paisagem

 Sempre me “paraliso” quando chego a Praça da Liberdade. Há sempre algo muito bonito para se ver nela. Hoje gostei das folhas caídas ao chão. Me lembrou que estamos no outono. Que tudo se renova.
  Eu não gosto de usar guarda-chuvas. Prefiro as sombrinhas que são mais coloridas. Aliás quem inventou essas  representações de gênero que incidem até no que uso para me “proteger” das gotas da chuva?

Por um mundo menos dividido nessa dicotomia: coisa de menino e coisa de menina.

  

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Pra fazer exames 

Aqui em Minas as pessoas costumam dizer quando te acham arrumado: “Vai fazer exames?”. Mas não é uma crítica e sim um elogio como somente os mineiros sabem fazer: indireto e divertido.  No começo eu “boiava” e não sabia o que significa, rs..rs. Logo entendi a origem da expressão. Antigamente as pessoas simples do interior colocavam suas melhores roupas em qualquer ocasião fora de suas rotinas, até mesmo quando iam fazer exames laboratoriais.
Então quando estiver pelas bandas de Minas e ouvir “fazer exames” , sinta-se feliz pois você está muito bem! Foi o que ouvi hoje e me fez sorrir.

     Hoje estou usando uma peça meio sumida do armário masculino: o prendedor de gravatas. Assim como as abotoaduras, o prendedor de gravata é um acessório elegante e funcional.

  

Os prendedores surgiram no século XIX, quando as gravatas evoluíram para o formato atual mais comprido. Eram muito comuns nos anos 80 e caíram em desuso nos anos 90. Eu acho um acessório clássico e prático para quem precisa manter a gravata alinhada. Há uma infinidade de modelos de prendedores mas eu acredito que um dourado e um prateado são suficientes. 

Mas você sabe qual a altura para colocar a peça? Há uma regra: ele não pode ficar tão próximo ao pescoço, nem a barriga. Geralmente o prendedor fica entre o segundo e o terceiro botão de sua camisa, na altura do seu peitoral. O meu usei um pouco acima do segundo botão por causa da abertura do blazer.

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Crochê

O crochê é cada vez mais  introduzido no vestuário masculino. Começou nos acessórios como gravatas e boutonnieres. Agora já há camisas. Sempre achei muito bonito o traçado do crochê. Principalmente porque é feito à mão e com muito carinho. Hoje usei uma bata de crochê que achei num brechó. Bonita e confortável. Me senti abraçado. 

   

Pedalar usando a bata de crochê foi super confortável. 

   

O crochê é bonito e já ocupa lugar definitivo no guarda-roupa masculino. 

   

 

Alma vintage 

Confesso que acho bonito alguns carros antigos. Eu nunca sei o nome ou modelo. Nunca me interessei em saber. Gosto de imaginar como era a cidade em que circulavam. O encantamento logo passa. Lembro que por causa desse apego das pessoas aos carros, crianças perderam as ruas para brincar, as vias se tornaram perigosas, as crianças ficando diabéticas e hipertensas por não usarem o próprio corpo para pular, subir, correr,  os bairros desconectados, o ar poluído, a cidade barulhenta, os idosos desrespeitados, as pessoas infelizes e nervosas, com medo dentro de seus carros, o ódio de motoristas aos ciclistas e a todos que andam devagar, a violência no trânsito, as mortes, a impunidade, enfim. Tudo fica cinza.

  

Eu tenho uma alma vintage. Eu não vivi nos anos 20 ou 40 mas fui uma criança que pedia licença antes de interromper a conversa entre adultos, que brincava na rua. Que espera o pai chegar do trabalho para lhe dar um abraço. Que pedalava sem medo pelo bairro (medo eu só tinha de cães ferozes).

Hoje no estilo tweed ride, um passeio que evoca tantas coisas boas que me deixa inspirado. Eu ando devagar todos os dias e tento observar e valorizar as coisas que tornam esta cidade melhor.

  

  

Eu subi a Av. João Pinheiro sem transpirar. Este tempo mais frio me deixa tão feliz!. A gravata da Blade Alfaiataria foi presente do querido Zeca Perdigão. Foi feita aqui em BH por hábeis  mãos de um alfaiate, uma profissão que está se extinguindo mas ainda há resistência. Um beijo em todos que pedalam.

Pérola gorro e jeans destroyed 

Adoro minha bicicleta Pérola Negra. Ontem usei-a para ir a dois compromissos.  Duas reuniões, uma delas um pouco mais formal.  Gorro e o jeans destroyed são bem informais mas para quebrar essa informalidade acrescentei o blazer por cima da camisa de alfaiataria. Fui bem recebido em todos os lugares. Muitas vezes as roupas podem significar  mil coisas mas é nossa postura que determinará o contexto delas. 

  

  

   

     

 Acrescentei um farol vintage que combinou bastante com Pérola.  

   

Um ano em busca do estilo

Há um ano comecei a escrever o blog para tentar desenvolver um estilo próprio que combinasse com minhas referências e biotipo crioulo brasileiro. Sei que errei muitas vezes mas, hoje já posso dizer que tenho um caminho: e continuarei seguindo. Há coisas que aprendi nas inúmeras tentativas de acerto e gostaria de compartilhar. 

 1. Não importa o que os outros digam, roupa não é futilidade e você aprende isso logo que começar a acertar algumas.  

2. O estilo é algo pessoal e intransferível mas as releituras são libertadoras. 

3. Eu não me visto baseado em que veiculo vou pegar: tipo eu não me visto para andar de bicicleta, para ir de ônibus, de táxi ou carona. É o dress code do destino que importa. 

4. Conforto é uma palavra de múltiplas interpretações. Sempre se questione sobre o que é realmente confortável para você em várias dimensões.

 5. Escolha um blogueiro cujo estilo te agrada. (Ok pode ser difícil essa parte pois muitos blogueiros se preocupam demais com marcas) Tente achar pelo menos algum gringo ou comece a guardar idéias.

 6. Homens também usam acessórios. 

7. Marcas gigante em suas roupas torna você um outdoor ambulante e só enriquecem os executivos e as celebridades que as promovem. 

8. Moda é diferente de estilo. Moda é a imposição mercadológica de um estereótipo, estilo é você no comando. 

9. Você não precisa gastar uma fortuna com roupas para manter um estilo. 

10. Antes de comprar qualquer coisa busque na memória se você já não tem uma peça parecida. 

11. O barato sai caro e menos é mais. Peças boas e resistentes fazem valer mais seu dinheiro suado. Compre menos e com um ano só terá coisas boas no guarda-roupa. 

12. Blazer azul marinho, uma boa calça jeans camisa branca de alfaiataria e sapatos de couro são itens curingas no guarda-roupa masculino. 

13. Há uma linha tênue entre o estilo casual e o largado (largado já diz que nem você nem ninguém do seu lado liga para o que veste). 

14. A elegância masculina consiste em vestir roupas adequadas ao ambiente que você frequenta ser cortês e gentil com os todos.

  

Hoje não perco tanto tempo escolhendo a roupa que vou usar e a possibilidade de errar diminuiu bastante.  

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