Alma vintage 

Confesso que acho bonito alguns carros antigos. Eu nunca sei o nome ou modelo. Nunca me interessei em saber. Gosto de imaginar como era a cidade em que circulavam. O encantamento logo passa. Lembro que por causa desse apego das pessoas aos carros, crianças perderam as ruas para brincar, as vias se tornaram perigosas, as crianças ficando diabéticas e hipertensas por não usarem o próprio corpo para pular, subir, correr,  os bairros desconectados, o ar poluído, a cidade barulhenta, os idosos desrespeitados, as pessoas infelizes e nervosas, com medo dentro de seus carros, o ódio de motoristas aos ciclistas e a todos que andam devagar, a violência no trânsito, as mortes, a impunidade, enfim. Tudo fica cinza.

  

Eu tenho uma alma vintage. Eu não vivi nos anos 20 ou 40 mas fui uma criança que pedia licença antes de interromper a conversa entre adultos, que brincava na rua. Que espera o pai chegar do trabalho para lhe dar um abraço. Que pedalava sem medo pelo bairro (medo eu só tinha de cães ferozes).

Hoje no estilo tweed ride, um passeio que evoca tantas coisas boas que me deixa inspirado. Eu ando devagar todos os dias e tento observar e valorizar as coisas que tornam esta cidade melhor.

  

  

Eu subi a Av. João Pinheiro sem transpirar. Este tempo mais frio me deixa tão feliz!. A gravata da Blade Alfaiataria foi presente do querido Zeca Perdigão. Foi feita aqui em BH por hábeis  mãos de um alfaiate, uma profissão que está se extinguindo mas ainda há resistência. Um beijo em todos que pedalam.

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