Estilo e economia 

Uma amiga me disse que a mãe está super  deprimida por não poder comprar novas roupas devido à situação da economia.

Fiquei refletindo sobre isso. Em tempos de crise e orçamento curto o melhor a fazer é repensar o consumo. No caso de roupas mais ainda. Mesmo com a economia em alta acho caro demais comprar roupa como terapia ocupacional. 

Considero que evolui muito desde que passei a estudar mais o universo do guarda-roupa masculino. E principalmente adotei o brechó como fonte alimentadoras de peças interessantes e que combinam comigo. 

Hoje por exemplo não há nada de novo, exceto o encontro. A combinação de roupas que nunca fiz. Promover a “conversa” entre  peças que nunca se “viram” é uma boa maneira de começar a redescobrir o que há no seu closet, Rs. 

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Jeans Destroyed 

Apesar de vasta “literatura fashionista” associar o jeans destroyed a desfiles de marcas como Dolce e Gabanna ou Michael Kors, na década de 80, a origem da peça está mais ligada ao movimento punk que surgiu nos anos 70. O jeans destroyed já era visto em integrantes dos Remones e Sex Pistols. 

   
 

O visual “agressivo” e desgastados dos punks também contrasta com o movimento que o sucedeu; os hippies. Uma das características punk é o Do It Yourself (faça você mesmo). Foi o que fiz. Comprei uma calça destroyed e tinturei. Detalhe; o modelo de calça é femino. Ando testando os conceitos de moda sem gênero. Mas isso é tema para outro post. Por enquanto estou estudando e testando. O mais interessante é que esta calça me foi apresentada pela vendendor do brechó. Enquanto  lojas de departamento lançam propaganda de moda sem gênero mas quando se pega uma peça feminina é motivo de chacota entre vendedores, no brechó tenho mais este “luxo”. Amo. 
 

Voltando ao destoryed tive duvidas no início. Todos os blogs de moda e estilo repetiam que não era uma peça para ir ao trabalho. Cheguei a consultar o manual dress code do meu job e não havia uma linha sequer sobre isso. Gosto é uma construção social sou rebelde e logo parei de ler o manual. 
    

      
    

O processo de tintura foi desafiador para mim que nunca tinha tinturado. Tive um mestre, o querido amigo Sergio Guerra que domina a arte. Logo na primeira tinturação foi um sucesso (do meu ponto de vista).  
Escolhi tinturar o black jeans pois é bem curinga e fácil de combinar. Para me inspirar algumas referências;

   
    
 

Turbante 

Outro dia resolvi usar um turbante novamente e não levei nenhuma fina de motoristas. Os olhares das pessoas na rua me rendeu o tom de “exótico” e perigoso. Penso que a indústria da moda é tão massificante que as pessoas nunca param para refletir a origem de cada estilo. Os turbantes são usados em muitas partes do mundo e há seculos!

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Com minha monareta 

A origem dos turbantes, apesar de não detalhada, certamente é a Africa. Há inclusive historiadores sugerindo que os turbantes foram amplamente usados no Egito, outros afirmam que os persas começaram com um tipo de boné cônicos e depois se transformou nos turbantes modernos. Os turbantes tinham (e ainda têm) muitos significados religiosos. Os homens Sikhs usam um turbante pontudo, para guardar seus longos cabelos diante de Deus. Na África turbantes são comumente usados por homens muçulmanos. No Paquistão , o turbante é usado em larga escala, especialmente entre a população rural. Na Índia o turbante é referido como um pagri.No passado até o exercito bizantino usava uma espécie de turbante.

Os turbantes atuais são tão diversos como as culturas que os usam. Variam em muitos tamanhos e cores.

Os fashionistas de plantão e modistas que adoram dissociar  os objetos de suas cultura de origem inventaram o termo  Murban  (Man + Turban), para designar os turbantes masculinos

Um dos ícones atuais e divulgadores do turbante é o ator e design indiano radicado em NY,  Waris Ahluwalia. O turbante sikh é parte de sua identidade. Ele inclusive já relatou que foi impedido de embarcar por causa de descriminação ao seu turbante.

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Fonte Black Pages Brazil.

Aqui as inspirações para os adoradores do murban

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Não são lindos os turbantes? rs.

Inspirado na série Call the Midwife 

Ando apaixonado pela série Call the Midwife. Produzida para a BBC a série se passa em Londres da década de 50 no pobre destrito de East End onde um grupo de enfermeiras parteiras enfretam muitas dificuldades para ajudar mães. Usam bicicletas raleigh para atender a todos os chamados. 

A serie Call the Midwife se baseia no livro de memórias homônimo de Jennifer Worth que era conhecida como a enfermeira Jenny Lee e viveu muitas das situações apresentadas na produção. Com personagens adoráveis e a reconstrução e caracterização da histórica East End sem usar computação gráfica excessivamente a série  conquistou meu coração (e o de muita gente). 
Call the Midwife (Reino Unido, 2012)

Rebatizei  minha bici. Acrescentei Jenny Lee ao Pérola Negra. Como parte da homenagem usei o blazer azul e boutonnière vermelho, cores que as personagens usam na série. Hoje me senti com o mesmo espirito de serenidade da série diante da brutalidade do trânsito de BH. É claro que levei fina. Mas também foi somente uma enquanto eu descia a Timbiras em direção a Afonso Pena.

Meus sapatos bicolor comprados num brechó em DC.