O veículo da contemplação 

Uma das coisas que mais me incentivam pedalar em BH é poder dar uma parada enquanto estou me deslocando e curti o momento num lugar que se transforma. Época dos ipês florirem e essas flores caírem formando um tapete. 
 Fotos: Bê Guimarães 

  

     

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Luvas Jamaica 

Hoje vim numa cadência bem parecida ao som do reggae na cabeça. Deve ter sido as luvas que comprei de crochê e cujas cores me lembraram a Jamaica. Na minha infância eu tinha um vizinho que escutava muito Edson Gomes e Jimmy Cliff – me recordei do início da música que mais me deixava feliz: “Reggae night. We come together when the feelin’s right”. Quando acordava e a escutava eu sabia que meu dia seria fabuloso.

Pedalar com chapéu na fixa é um desafio e tanto. Mas como já disse aqui ele ajuda a controlar a velocidade sem segurar a emoção.

  Comprei as luvas na Intertrilhas. Lá já vi luvas em couro de pelica da Giro por 250,00. Estas de crochê e couro estão por 59. Luvas são importantes. Recomendo. 
    Depois que deixo a bici e faço minha caminhada e as pessoas nunca imaginam que pedalei. 

   

  Charllote ganhou filtro amarelo no farol e ficou ainda mais linda. 

 

Dia frio, coração quente 

Ontem foi inaugurada a ciclovia da Avenida Paulista em SP. Acompanhei tudo pela web. Praticamente não saí de casa pois não queria perder nada da cobertura. Foi lindo e espantoso ver como SP pode se transformar (se já não é) o farol brasileiro no quesito humanização da cidade. A faixa vermelha de quase 3 km bem que podia ser um tapete vermelho em homenagem a todas as pessoas que deram seu suor e sangue para que ela fosse concreta. O prefeito Fernando Haddad foi pedalando como uma pessoa qualquer. Esse é poder da bicicleta numa sociedade em que o medo e o terror (principalmente propagados pela TV) fazem as pessoas correrem para uma caixa blindada enquanto perdem a chance de deixar o que realmente é valioso nesse universo: um planeta às futuras gerações..

Hoje o frio em BH me fez usar meu blazer de tweed. Pra lembrar que preciso me manter quente assim como meu coração batendo e bombeando sangue para dar forças as minhas pernas. Isso é viver. Que SP inspire muitos belorizontinos a não se contentar com apenas 70 km de ciclovias.

Fotos: Jocasta Luiza