A pé na conversa

Hoje o tempo virou e pegou muita gente desprevenida. Neblina e uma chuva fina esporádica, alem do frio, deram o tom matinal. Há quem ache desconfortável usar o que consideram “muita” roupas por causa do calor. O que pouca gente sabe é que o corpo não sente frio nem calor de forma homogênea.

Assim varias pessoas ficam resfriadas ou gripadas por acharem desnecessário um agasalho. Aconteceu comigo uma vez ao viajar no frio e pedalar agasalhado mas desconsiderei o frio absorvido pelas partes expostas. Resultado: peguei um baita resfriado. Aprendi a lição pois desconfortável mesmo é sentir o tempo e ficar doente. Equalizar nosso estilo ao que nosso corpo sente e ao  tempo externo é uma ciência.

Hoje usei uma blusa fina, um blazer grosso de algodão por cima, calça de sarja e tênis. Andei quase 6 km para chegar ao trabalho. Eu gosto de andar quando não estou de bike. Posso conversar com amigas, ir batendo papo e depois conversando com meus pensamentos e claro: observando a cidade. A roupa foi super adequada pois como tenho costume já sei o que usar para a caminhada. Quando esquentou tirei um pouco o blazer.

Foto Lais Monteiro. Com quem andei boa parte da caminhada e sempre temos conversas proveitosas. O caminho foi somente descer e descer. Das coisas boas de BH.

Azul é a Cor Mais Quente 

Hoje quando peguei essa camisa (toda construção hoje do look se deu por base nela) lembrei do titulo do filme do diretor  franco-tunisiano  Abdellatif Kechiche  que conta no longa  Azul é a Cor Mais Quente, a história muito intimista de duas garotas que se relacionam (mas o filme vai muito além de uma relação de amor, não quero dar spoilers).  Um detalhe lindo é que a cor azul está no título, no cabelo da personagem Emma e em praticamente toda a produção (de ambiente a figurino) do filme.

Azul é a Cor Mais Quente - Foto

Sobre esse azul, comumente chamado de Azul Royal (Ou azul real) já era conhecido dos egípcios mas na idade média a cor da nobreza era o vermelho enquanto o azul era dos servos. Logo depois o azul foi escolhido como a cor da civilização ocidental. Os muçulmanos e cristão também se renderam ao azul durante a a Idade Média.  Por fim a Europa resolveu adotar o azul para os seus códigos e sistemas sociais tanto que a cor que veio a tomar lugar na própria bandeira do Conselho da Europa. (Fonte; Cores ou o trabalho do conceito – Antonio Barros).

Então a camisa me lembrou toda essa história e me dei conta que foi no azul  também onde encontrei minha primeira paixão. Mas isso é tema para outro post.

 

   

O menu gourmet do almoço precisou ser romântico; risoto com damasco e bisteca ao vinho. Mmmmmm.

Outras inspirações para você também usar seu azul.

Estilização Fixie

Depois de seis meses usando resolvi customizar um pouco minha FiX da Caixa. Afinal já há muitos “clones” na rua e acho que precisava dar esse tapinha no vizu. Comprei uma roda nova (Red). Cortei duas estórias de um HQ da Marvel Comics e colei no quadro usando cola branca que depois também foi um pouco diluída para virar um verniz. Aproveite para trocar o pedal e selim (ambos da minha FiX One Charllote, que vai ganhar um pedal melhor). Fiquei feliz com o resultado. Bicicleta também pode se vestir! Rs. 
   
    
    
   

Vestido como quiser 

“Seja você sempre e quando te criticarem por isso seja mais ainda”, eu. 

A entrega do Oscar 2016 gerou varios comentarios nas redes. Muitos  sobre os looks das “estrelas”. Um deles foi relacionados as roupas da figurinista Jenny Beavan que inclusive levou a estatueta pelo seu trabalho em Mad Max – Estrada da Fúria. Choveram críticas à Jenny por ela não está de vestido e blá blá blá.

 A resposta ela mesmo deu conforme transcreveu a jornalista Lilian Pacce – “Estou muito feliz em falar sobre isso. Não sou de vestidos e absolutamente não sou de saltos, tenho problemas nas costas. Fico ridícula em um vestido lindo. Essa foi uma homenagem a ‘Mad Max’ (…). [Essa jaqueta] é Marks & Spencer com [bordado] Swarovski nas costas. Tive um problema no sapato e o glitter caiu. Estou me sentindo confortável e, até onde percebo, estou realmente arrumada!”, declarou Jenny. 

A inglesa Jenny Beavan já foi indicada 9 vezes ao Oscar e assinou o figurino de vários filmes como Razão e Sensibilidade (amo esse filme),  O Discurso do Rei e mais de 50 outros títulos. Ontem além dela fazer uma referencia ao filme que lhe rendeu o Oscar quis dizer também o seguinte; “que se danem suas regrinhas de noite de gala”. Adorei!

   
 Os figurnos que  Jenny Beavan criou para o filme  são super envelhecido, pois no futuro caótico tudo será reciclado, segundo ela, e eu concordo. O filme todo tem fortes referências ao Mad Max dos anos 80. Curti demais. 

Figurino do persoangem principal de Mad Max

 
Fiquei pensando; porque uma pessoa não pode usar algo que transmita sua própria noção de conforto e personalidade? Queriam ela de vestido e ela foi de calça e jaqueta. Estava bem. Feliz e ganhou o Oscar. Seja a estrela de seu próprio filme; se vista como quiser. Assim hoje eu apenas pensei no conforto. 
   

   

   
 

Firma pé 

A fixa é como um cavalo selvagem. É linda, corre mas a qualquer momento pode te jogar pra fora dela. Kkkk. Tudo bem. Não é tão assim. Eu só levei um tombo e foi por causa de um patinador e um bueiro armadilha na Pampulha. Todos os fixeiros me alertaram para usar o firma-pé pois ajuda no pedal e principalmente nas subidas.  O modelo que uso é semelhante a este; 

 O firma pé deixa os pés presos ao pedal fazendo o ciclista ter mais controle dos pedais já que na fixa não há como parar de pedalar.  

Por enquanto não senti grande diferença pois ainda estou tentando fazer algo aparentemente simples porém complicado para iniciantes; encaixar o pé enquanto pedalo. Rs. Continuarei treinando.  

   
   Na fixa assim como na maioria das bicicletas sem protetor de corrente é preciso levantar a barra da calça para não ficar presa entre a coroa e a corrente. É queda ou rasgo na calça na certa! Apesar da minha fixa ter um pequeno protetor na coroa eu não arrisco. Também não quero óleo de corrente na minha bainha né?   
 

Sapeurs – Os Dândis do Congo

Quando pensamos em lenços de seda, calças de veludo rosa, ou casacos de tweed feitos por um alfaiate, decerto que não fazemos logo uma associação às favelas mais pobres da África. Mas tudo isto é comum para qualquer habitante do Congo! Graças a subcultura dos Sapeurs, os homens extraordinariamente bem vestidos do Congo.

screen-shot-2011-04-05-at-02-30-35Enquanto muitos homens pelo mundo têm medo do dandaísmo, no Congo é um privilégio e um orgulho ser um dandy! No meio de favelas destruídas pela guerra, e reconstruídas com pedaços de qualquer coisa, estes homens vestem-se com roupas feitas sob medida. Elegantemente passeiam nas ruas, lamacentas, onde uma tábua serve para fazer de ponte, conseguindo manter os seus sapatos, orgulhosamente engraxados e imaculados. Os dandies africanos remontam ao século 18, quando os escravizados (principalmente os que viviam de perto a vida dos seus ‘donos’) eram vestidos de uma forma elegante, para assim, poderem se ‘encaixar’ nos ambientes luxuosos onde trabalhavam. Mais tarde, quando a escravatura foi abolida, muitos africanos livres já tinham começado a criar o seu próprio estilo dandy. Eram bem mais originais que os europeus, incorporando elementos diferentes, mas mantendo sempre uma máxima; a elegância.

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O nome da subcultura dos Sapeurs do Congo vem da abreviatura ‘La SAPE’ (Société des Ambianceurs et des Personnes Elegantes, ou a Sociedade dos Formadores de opinião e Pessoas Elegantes). O primeiro ícone dos Sapeurs ou ‘Grand Sapeur’ foi André Matsoua, uma figura religiosa e política do Congo muito influente que, em 1922, ao voltar de Paris e para o espanto geral dos seus compatriotas (que se vestiam com trajes africanos tradicionais), tinha por hábito utilizar roupas de corte europeu, mais precisamente  elegantes  modelos franceses.

3234732201_ebc45428f4sapeurs_post2-520x323[1]Durante muito tempo, logo a seguir à descolonização Belga, o Congo esteve sob um apertado regime ditatorial comandado por Mobutu (famoso pela sua preferência pelos padrões e peles tigrados) e qualquer associação com a cultura ocidental era severamente desaprovada (e punida). Papa Wemba tornou-se um simbolo visual de revolução, contra a privação económica e ditadura política. Papa Wemba (por ser conhecido internacionalmente) conseguia desafiar de uma forma um pouco mais visivel o regime de Mobutu, tendo criado a sua própria aldeia, onde manteve um conjunto de códigos morais com ênfase em elevados padrões de higiene pessoal. A higiene e o vestuário elegante eram condição para se ser um Sapeur, independentemente das diferenças sociais.

094bd28cfdfe94c9a7567846567cc6f9A ‘Sapologia’ ou Dandaismo no Congo não é nenhuma nem qualquer tendência de moda. É uma forma de viver a vida que implica mais do que estar bem vestido, ou ser vistoso. É quase como um código de conduta que torna o Sapeur um alguém importante, não pelo que veste mas pela pessoa que pretende ser.

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Apesar de a maioria dos Sapeurs ter testemunhado, em primeira mão, toda a brutalidade e horror de três guerras civis, um Sapeur é uma pessoa não-violenta, é respeitoso e atencioso para com os outros. Um dos lemas mais importantes dos Sapeur diz algo como isto: “Vamos baixar as armas, vamos trabalhar e vestir-nos com elegância”. As drogas estão completamente fora do estilo de vida de um Sapeur, o hábito de usar qualquer tipo de droga não combina com o estilo de vida elegante para um Sapeur.

Quer saber mais sobre os Sapeurs? Assista este documentário.

Inspirados pelos sapeurs hoje fui trabalhar colorido e tendo em mente também os ideais de elegância, cortesia, irreverência e contestação a ditadura sport wear e “vulgaridades” nas vestes do dia-a-dia. Claro  que usei minha bici!  Axé pros irmãos do Congo!

  
   
Fotos: Bruno Carvalho – Fonte: http://lounge.obviousmag.org/

Cinquenta milhões de tons de cinza 

Estamos “caminhando” para 50 milhões de automóveis no Brasil. A cor preferida dos motoristas é o cinza. Mais de 50% da frota é dessa cor e suas variações de tons. As vezes caminhando pela cidade é exatamente isso que vejo, carros e mais carros cinzas, paredes cinzas, pista… tudo. As cidades brasileiras estão ficando cada vez mais cinzas.

Me dei conta que eu também tenho várias peças cinzas e além disso meu cabelo está ficando gris também..hehehehe. O que fazer então? Sempre uso cinza com outras cores mas já vi muitos looks totalmente cinzas que ficaram muito bons. O cinza dá um ar sofisticado a qualquer look mas isso não quer dizer que temos que tornar tudo cinza na cidade não é? Camisa amarela, lenço vermelho, blazer azul e mochila caramelo foram as minhas escolhas para acompanhar o cinza hoje.

Quem dera a cidade pudesse seguir o mesmo preceito e não cortar as arvores, nem eliminar as cores de seu cenário.

   

  
  

Looks cinzas

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